Foto do Castelo visto da Vila


Sondagem arqueológica pondo a descoberto os muros do Castelo

 


Pormenor da sondagem


Enquadramento da sondagem no Cerro do Castelo


O desentupimento de um Silo em 1982, posto a descoberto por um arado, por jovens da Vila afectos à "Primeira Exposição Arqueológica" do Núcleo de Defesa do Património do Clube Desportivo de Garvão.

 

 

CASTELO DE GARVÃO

O Cerro do Castelo de Garvão, no centro da vila, com vestígios ocupacionais desde o Bronze final, apresentava-se, como o povoado central de pequenos aglomerados ou habitats limítrofes. A existência do seu santuário da II idade do ferro, cujo Depósito Votivo, posto a descoberto, aponta para um local de culto de grandes dimensões, sinónimo da sua importância e predomínio na região, leva a crer que o Cerro do Castelo de Garvão seria o local onde se centravam os mecanismos de controlo, não só religiosos, mas, também, de coesão social, política e económica dos grupos circundantes.

O Cerro do Castelo de Garvão, que mereceu uma sondagem de Caetano Mello Beirão e José Olívio Caeiro no verão de 1981, e cujo Depósito Votivo da II Idade do Ferro, foi escavado, por Caetano de Mello Beirão, Mario e Rosa Varela Gomes, Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares em 1982, forneceu materiais do Bronze Final, nomeadamente cerâmicas com decoração denominada “retícula brunida”, apresenta assim uma ocupação desde o bronze Final, incluindo Romana e Árabe até ao presente, evidenciado pelas cerâmicas encontradas.

A sua supremacia, conjugando uma potencial riqueza agrícola com o acesso, sem intermediários, aos metais, estender-se-ia aos povoados limítrofes. De facto o Cerro do Castelo de Garvão, situado entre a peneplanície, do rio Sado, a Norte, rica em solos agrícolas, e a região Sul, associada ao rio Mira, rica em metais, permitiu uma superioridade económica e estratégica conduzindo-a a uma afirmação como centro religioso-político-económico da região.

“...O Castelo de Garvão com seus pedaços de muro e uma cisterna entulhada, coroa uma pequena montanha, ladeada por duas ribeiras, que ali se juntam e o cingem. A do Poente é a ribeira do Arzil, a do Nascente a de Garvão, pois sobre esta última e em exposição ao sol nascente, a vila se expandiu, por debaixo dos muros do Castelo...”, “...As Ladeiras do Castelo – este de fundamento Romano –apresentam espessos estratos de telharia, carreada pela erosão, com fragmentos cerâmicos de várias épocas, e não raramente moedas Romanas de imperadores...”(in “As Grandes Vias da Lusitânia” de Mário Saa).

Tendo em consideração a antiguidade da vila de Garvão e os inúmeros povos que tiveram influência na sua formação, com a necessária construção de infra-estruturas defensivas, é de crer que o Castelo de Garvão tenha sido construído pelas primeiras civilizações que por aqui passaram, e adaptado ao longo dos tempos às necessidades defensivas dos novos ocupantes.

Contudo, como Castelo defensivo do interior, perdeu a sua importância coma fundação da Nacionalidade e subsequente pacificação do território, não se justificando por isso a sua manutenção com cariz defensivo da agressão exterior, sendo essas preocupações justificadas nos Castelos da raia de Espanha.

Assim, o Castelo de Garvão caiu em desuso e, alvo de abandono as suas pedras foram ao longo dos anos, carregadas pela população para as mais diversas utilidades, nomeadamente para a construção de casas, paredes, muros, etc.

Pode-se ainda hoje identificar no terreno a sua constituição, compreendendo a parte nobre com a sua possível torre de menagem e cisterna, no local que ainda hoje éconhecido como o Castelo. Está visível no lado do poente uma boa parte da muralha, posta a descoberto pelas escavações efectuadas.

Está identificado, também, uma enorme cerca defensiva, do perímetro urbano da vila, que se estendia até ao serro onde se situa o “Cemitério Velho”, prolongando-se até à Igreja Matriz, ocupando assim toda aquela zona alta da Vila e sobre o qual a povoação se expandiu.

Assim, o Castelo ficou defendido naturalmente pelo declive acentuado do lado poente e nascente, ladeado por duas ribeiras, e do lado oeste por “...um sulco profundo, transversal às ribeiras de Garvão e Arzil, e imediatamente abaixo do Castelo, sulco que ali éconhecido por Ferradouro, corruptela de Furadouro.” (in “As Grandes Vias da Lusitânia” de Mário Saa).


“...CAIU UM BURRO PARA DENTRO DE UMBURACO NO CASTELO...”

É assim que ainda hoje se comenta o que aconteceu em1942, quando o burro de António Chico, morador na Rua Direita e esposo de Terezinha Nobre, caiu para dentro de um buraco no topo plano do Castelo quando andava a lavrar.

O burro ficou de tal maneira enterrado e preso que só com a ajuda de várias pessoas é que o conseguiram tirar de lá. Dizem as pessoas, as que foram ajudar a tirar o burro e as que depois foram ver o buraco, que era um buraco na terra com umas escadinhas, parecendo uma entrada de umas casas ou uma cisterna, que se metia para o fundo e para o interior da terra.

Algumas pessoas ainda se aventuraram a entrar mas não foram muito longe devido ao entulho e à escuridão.
Com o tempo e a falta de interesse o buraco foi-se enchendo de terra, até que ficou completamente tapado, havendo, contudo, pessoas que se lembram do local onde tal aconteceu.

Comenta-se na vila, que em várias casas junto ao Castelo existe túneis para o seu interior, cavados pelos Mouros, coisa que os proprietários das casas negam

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