CEMITÉRIO NOVO
O Cemitério Novo, na Sardoa, foi inaugurado em 1937,
altura em que o Cemitério Velho, na Vila,deixou de
ser utilizado
CEMITÉRIO
VELHO
O
Cemitério Velho de Garvão fica situado
no Serro do Forte, dentro da chamada “cerca defensiva
do primitivo núcleo urbano”, da Vila de
Garvão
Está assente sobre construções
mais antigas, como o caso da Igreja do Sagrado Espírito
Santo.
Construções antigas essas, não
só visíveis dentro do próprio Cemitério,
onde se nota o corte intencional de muros, mas também
nas paredes, onde, para além dos vestígios
da referida igreja, nota-se, também, uma grande
diversidade de construções e estilos empregues
na sua construção e aproveitamento claro
de construções anteriores.
Assim, as paredes do Cemitério são irregulares,
tanto na altura e tamanho, como nos vários tipos
de materiais utilizados; uns são de taipa e outros
são de pedra, umas vezes aparelhada, outras assente
com menos cuidado.
Nota-se também que várias janelas e portas
foram fechadas e a inclusão nas paredes, de enorme
quantidade de cerâmicas e pedras mármores,
denotando claramente a existência de uma construção
anterior.
No lado de fora do Cemitério Velho, foram achadas
várias lápides funerárias medievais,
uma das quais presume-se ser de famílias Judias,
assim como ossadas junto aos muros da cerca defensiva,
quando se procedia a escavações Arqueológicas
junto à Muralha Defensiva do Primitivo núcleo
Urbano da Vila (promovidas pela Associação
Defesa do Património de Garvão).
Apesar de este Cemitério estar em uso até
há relativamente pouco tempo, e ainda conservar
lápides funerárias de familiares de pessoas
da terra, o Cemitério Velho tem sido votado ao
desprezo e abandono.
Ainda recentemente, foram cortadas as centenárias
oliveiras e a sua lenha carregada para as lareiras.
Os gradeamentos daslápides funerárias
foram tirados dos seus lugares e postos a um canto para
o gado não fugir.
Já foi curral de gado, já foi horta, já
foi caiado de branco por cima de pinturas antigas e
mais se verá, assim diz o povo, se quem de direito
não tomar as devidas providencias.
O
OSSÁRIO
No Cemitério Velho de Garvão, no canto
virado para a Vila, encontra-se uma proeminência,
de construção tardia, pois não
se encontra interligado com as construções
adjacentes, e que é conhecido por Ossário.
O seu acesso faz-se através de umas escadinhas
laterais, feitas em pedra, não tem qualquer abertura
lateral, o topo encontra-se completamente descoberto
e ainda hoje se pode constatar a enorme quantidade de
ossos que ali eram depositados
A
MORTALHA E O ESQUIFE
Antigamente, até há cerca de 70 anos,
em Garvão, não havia caixões, os
mortos eram enterrados enrolados num lençol ou
toalha de linho com rendasa que chamavam “a mortalha”.
Eram levados para o Cemitério dentro de uma armação
de ferro a que davam o nome de “esquife”.
A
SANTA DO CEMITÉRIO VELHO
Consta-se na Vila de Garvão, que no Cemitério
Velho está enterrada uma “Santa”,
pois quando no princípio do século passado
(sec. XX) se procedeu ao levantamento de um corpo, este
apresentava-se intacto só com a ponta do nariz
estragado, diz o povo, que era de cheirar o pão
quente, por ser forneira.
Ao que se consta, a notícia espalhou-se “...
de que em Garvão havia uma santa...”, tendo
a população acorrido à Igreja,
para onde entretanto, o corpo tinha sido levado e onde
esteve exposta uns dias, dando lugar à imaginação
colectiva, no meio de uma solenidade e fervor religioso
que levou, inclusivamente, a atribuir-lhe poderes milagrosos
que se evidenciavam nalgumas pessoas que se diziam “curadas”.
Consta-se também que, perante tal situação,
houve uma maior afluênciade pessoas à Igreja.
As autoridades administrativas e religiosas mandaram
enterrar novamente o corpo no Cemitério Velho,
procurando assim esmorecer o fervor religioso que se
tinha vindo a formar.
Contudo, ainda segundo alguns elementos da população
mais idosa, a afluência de pessoas ao Cemitério,
ao lugar da sepultura da “Santa” continuou,
perpetuando-se na memória popular até
aos nossos dias.
Ao que se conseguiu apurar, a “Santa” era
a mulher do Sr Bento Guerra, mãe do Sr. Joaquim
Guerra. O Sr. Bento Guerra que casou com a Sr.ª
Ana Charrua, tia do Sr José Charrua.
Não deixa de ser curioso tal facto se ter passado
na mesma altura das aparições de Fátima.
SR.
JOAQUIM FIEL
Nasceu a 2 de Novembro de 1902, dia de Finados.
Em 2002 fez 100 anos, infelizmente já não
está entre nós. No dia 4 de Dezembro de
2002, um mês e dois dias depois de fazer 100 anos,
faleceu. Natural de Garvão, sapateiro de profissão
que aprendeu com o seu pai.
Homem sempre activo em todas as manifestações
culturais e sociais da vila de Garvão.
Era uma verdadeira enciclopédia viva da história
cultural, social, política e económica
da Vila de Garvão.
Foi uma das primeiras pessoas a mencionar a Santa no
Cemitério Velho de Garvão, sabia inclusivamente
o local onde o corpo está enterrado.
SR.ª NORBERTA MARIA
Nasceu a 26 de Agosto de 1921, na Sardoa, termo desta
freguesia, onde ainda hoje reside.
A Sr.ª Norberta Maria lembra-se do esquife e da
mortalha, lembra-se do burro que caiu para dentro de
um buraco no Castelo, e lembra-se de tantas outras coisas
antigas, algumas contadas pelos seus pais ou avôs,
como o caso da “Santa” no Cemitério
velho, que dava para escrever um livro.
CEMITÉRIO ANTIGO
Existia, até à relativamente pouco tempo,
um Cemitério muito antigo, situado entre o Furadouro
e o Moinho do Sr. Chico Félix.
Até aos meados de 1960, quando a lavoura ainda
era feita por tracção animal, portanto
sem a força dos modernos tractores, que revolvem
aterra a uma maior profundidade, ainda era possível
identificar algumas pedras tumulares, hoje completamente
desaparecidas ou soterradas.
Contudo, uma pesquisa ao local, encontrará com
certeza vestígios desteCemitério