A constituição de um Museu Etnográfico
em Garvão sempre foi uma preocupação
de algumas pessoas desta terra que viam nisto um enriquecimento
e desenvolvimento para a vila.
Antes das “Cheias de 5 de Novembro de 1997”,
era já considerável a colecção
de alfaias e instrumentos de trabalho agrícola
em exposição na Associação
Cultural e Defesa do Património de Garvão.
Mas, devido à catástrofe, a colecção
perdeu-se e só algumas peças de maior
vulto se salvaram.
Presentemente, existe na mão de particulares,
já algumas peças destinadas a uma futura
exposição permanente ou quem sabe um futuro
Museu Etnográfico em Garvão, que realce
a ligação e dependência do homem/natureza
dos nossos avós.
Hoje, o modo de vida é totalmente diferente do
que era há 50 anos; havia mais contacto com a
natureza. Aliás, homens e natureza, formavam
uma simbiose única da evolução
natural das coisas.
Naquele tempo, os utensílios de trabalho e os
meios de transporte eram feitos de “pau”.
A força para mover os moinhos e azenhas era o
vento e a água dos ribeiros. O ferro era uma
dádiva da terra.
Hoje é tudo diferente. Os recursos naturais da
terra foram explorados até ao limite e fabricados
com enormes repercussões para o meio ambiente.
O
clima está totalmente alterado; o Buraco de Ozono
é uma ferida aberta nas defesas do planeta, e
a capacidade de regeneração está
seriamente comprometida.
As reservas piscícolas estão esgotadas,
assim como as minas, petróleo, terrenos agrícolas
devido ao uso excessivo de adubos; as florestas tropicais
(pulmão do planeta), são arrasadas a um
ritmo devastador.
Uma Exposição etnográfica, que
realmente realce estas diferenças evolutivas,
será sem dúvida importante na compreensão
da evolução civilizacional e uma mais
valia para Garvão.