O
sítio do Furadouro em Garvão é
“...um sulco profundo, transversal às ribeiras
de Garvão e Arzil, e imediatamente abaixo do
Castelo, sulco que ali é conhecido por Ferradouro,
corruptela de Furadouro.” (in “As Grandes
Vias da Lusitânia” de Mário Saa).
A sua profundidade, denota facilmente a acção
do homem na sua construção. Não
seria de estranhar se tal “Furadouro” tivesse
sido construído de propósito como fosso
defensivo do Castelo, estando este defendido naturalmente,
do lado nascente e poente, pelo declive acentuado das
colinas.
A construção de tal “Furadouro”
pelo sul, servia para além dos interesses defensivos,
como os de passagem da população.
Entalado entre duas vertentes íngremes, logo
abaixo dos muros do Castelo, tudo leva a crer no carácter
defensivo de tal obra.
Tem-se aventado a hipótese do Furadouro ter sido
uma Mina a céu aberto. Contudo, a falta de vestígios
de minério nas suas vertentes, no solo ou nas
proximidades, aliando também à falta de
tradição mineralífera em Garvão,
leva-nos a descartar essa hipótese.
O declive natural inicial, posteriormente acentuado
pela extracção de pedras, para os muros,
muralhas do castelo ou das cercas defensivas, depressa
foi utilizado como passagem pela população.
O aprofundamento e o corte transversal entre as duas
ribeiras, permitiu a posterior utilização,
por pessoas, gado e veículos de tracção
animal, que assim evitavam o esforço em subir
e descer as ladeiras do Castelo. Daí advém
o nome de Furadouro, uma vez que furava o serro.
Assim, quantas mais pedras tiravam para as obras, mais
o fosso defensivo se aprofundava e, melhor era utilizado
pela população.