Foto da Igreja em 1938


Foto do"PORTAL MANUELINO"
em 1938


Foto da Igreja actual

 


"PORTAL MANUELINO" presentemente.


Porta lateral da IGREJA MATRIZ
Com a data de 1688


Torre do sino da Igreja Matriz


Exemplo de uma "CUSTÓDIA"
como a que se encontrava na Igreja.

 

 

IGREJA MATRIZ

NOSSA SENHORA da ASSUMPÇÃO

ACHADO DAS FOTOS E DOCUMENTOS
Sobre a Igreja da Nossa Senhora da Assumpção, descobriu-se uma série de fotografias e documentos nos arquivos da antiga Direcção Geral dos Monumentos Nacionais.

Os achados fazem parte de uma colecção de documentos, com suporte fotográfico, sobre a recuperação da Igreja Matriz de Garvão, Nossa Senhora da Assumpção, incluindo vários pedidos de recuperação da Igreja de particulares e do pároco, assim como trocas de correspondência entre as várias entidades do estado que tinham a seu cargo a recuperação de tal monumento.

A data mais antiga, que se encontra na correspondência, data de 29 de Dezembro de 1937, dirigida ao director dos m o n u m e n t o s nacionais, sobre se as obras de restauro na Igreja "merece a pena".

As fotografias de 1938, são bastante elucidativas sobre o estado lamentável em que se encontrava a Igreja, contudo o mais curioso que se consegue vislumbrar pelas fotografias, é o facto de o pórtico em estilo manuelino da Igreja de Garvão estar resguardado por uma estrutura abobadada em arcos que a protegia, estrutura esta que fazia parte do conjunto da Igreja, construída com os mesmos materiais e no estilo em que se encontra ainda em certas Igrejas, nomeadamente na Igreja da Srª da Cola ou em Messejana. Conjunto este que já não se encontra vestígios, presumindo-se que tenha sido demolido por ocasião das obras de restauro que se vieram a efectuar posteriormente.

Entre a correspondência trocada entre o Ministério das Obras Públicas e Comunicações e as várias repartições do estado, sobre o arranjo da Igreja, nomeadamente a Direcção Geral dos Edifícios e M o n u m e n t o s Nacionais e o Director dos Monumentos Nacionais, questionam se a Igreja de Garvão está classificada como monumento Nacional, facto que na altura não estava e não veio a a c o n t e c e r posteriormente, mas havia unanimidade entre os intervenientes em recomendar a sua classificação como imóvel de interesse local ou municipal.

Apesar destas cartas, ou deste processo de reabilitação da Igreja, ter a data mais antiga de 1937, em 1962 encontra-se nova correspondência de várias entidades, nomeadamente do Pároco, do Bispo de Beja e de vários populares da vila de Garvão, a solicitar o arranjo da Igreja, como o caso de uma carta com a data de 1962 dirigida ao Presidente do Concelho, Dtºr Oliveira Salazar, escrita por Maria Guerreiro Gomes, moradora no Largo da Palmeira.

ESTILO ARQUITECTÓNICO DA IGREJA
A Igreja Matriz de Garvão, denominada Nossa Senhora da Assumpção insere-se na arte Gótica que surge em França, em meados do séc.XII, dominando toda a Europa, devido à influência e poder da monarquia francesa, às viagens dos arquitectos gauleses e a expansão dos monges de Cister, durante 350 anos.

Esta arte foi considerada como a mais espectacular de toda a idade média, é fruto de uma notável evolução nos saberes e nas técnicas e a melhor expressão material da religiosidade e da mística, ponto de ligação entre razão natural e revelação divina, entre os homens na Terra e Deus no Céu.

Em traços gerais, este estilo caracteriza-se pelas abóbadas cruzadas e a complexidade ornamental, conforme se pode observar na Igreja de Garvão, nomeadamente no pórtico Manuelino.

No que respeita à construção interior a sua principal característica são os tectos em abóbada de arestas em ogiva, as chamadas “ abóbadas cruzadas”. Aqui, os arcos são os suportes das abóbadas, bons alicerces e resistentes. Neste caso é fácil de notar a forma como os arquitectos tentavam aliar a estética com a estrutura, a forma estava subordinada à função. No exterior, a decoração concentrava-se à volta de elementos muito específicos, como as entradas, as janelas e os contrafortes.

A igreja gótica caracteriza-se por uma arquitectura muito complicada, que resulta numa tamanha perfeição.
Em Portugal, o Gótico é conhecido como estilo Manuelino, este baseia-se nas características desenvolvidas pelos franceses conjugadas com o gótico perpendicular inglês, que se caracteriza na acentuação das linhas rectilíneas, verticais e horizontais; evoluindo com características muito próprias, alcançando níveis de beleza elevados. No campo decorativo, a representação da natureza expressasse por motivos realistas, em que a vegetação é um símbolo muito utilizado de forma exuberante. Os animais, flora e seres humanos estranhos aparecem pontualmente.

Como forma de diferenciar a arte portuguesa de todas as outras, os artistas da altura optaram por passar para as suas obras elementos que faziam parte do quotidiano do país, tal como elementos de exaltação do poder monárquico e divino, para isso representavam a esfera armilar e imagens sacras. Na arquitectura, a decoração não é misturada com a estrutura, ou seja, as paredes são geralmente livres de decoração, tanto no exterior como no interior, sendo que a ornamentação concentra-se nas janelas, portais, arcos, tectos, abóbadas, pilares e colunas, arcos, nervuras, etc.

Artigo primeiramente inserido no Jornal de Garvão nº 8
José Daniel Malveiro
Achado das fotos e documentos
Raquel Nunes
Estilo arquitectónico da Igreja

A CUSTÓDIA DA IGREJA MATRIZ
A Igreja Matriz de Garvão, costumava ter, ainda não há muito tempo, uma Custódia em ouro, do género da ilustrada.
Contudo, tal Custódia, assim como alguns Santos, foram vendidos por volta dos anos 50 pelas autoridades administrativas da terra para fazer face a despesas de arranjo da própria Igreja e das ruas da terra.
Obviamente que situações deste género, quando não são feitas com o conhecimento geral da população, geram todo o tipo de desconfianças, e com o tempo tornam-se em certezas, sem se saber ao certo onde estará a verdade e a razão de tal procedimento.
Seja como for, o certo é que a Igreja Matriz de Garvão ficou sem uma Custódia em Ouro e alguns Santos, possivelmente do século XVII, ou anterior.

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