Exemplo de uma "CUSTÓDIA"
como a que se encontrava na Igreja.
IGREJA
MATRIZ
NOSSA
SENHORA da ASSUMPÇÃO
ACHADO
DAS FOTOS E DOCUMENTOS
Sobre a Igreja da Nossa Senhora da Assumpção,
descobriu-se uma série de fotografias e documentos
nos arquivos da antiga Direcção Geral
dos Monumentos Nacionais.
Os achados fazem parte de uma colecção
de documentos, com suporte fotográfico, sobre
a recuperação da Igreja Matriz de Garvão,
Nossa Senhora da Assumpção, incluindo
vários pedidos de recuperação da
Igreja de particulares e do pároco, assim como
trocas de correspondência entre as várias
entidades do estado que tinham a seu cargo a recuperação
de tal monumento.
A data mais antiga, que se encontra na correspondência,
data de 29 de Dezembro de 1937, dirigida ao director
dos m o n u m e n t o s nacionais, sobre se as obras
de restauro na Igreja "merece a pena".
As fotografias de 1938, são bastante elucidativas
sobre o estado lamentável em que se encontrava
a Igreja, contudo o mais curioso que se consegue vislumbrar
pelas fotografias, é o facto de o pórtico
em estilo manuelino da Igreja de Garvão estar
resguardado por uma estrutura abobadada em arcos que
a protegia, estrutura esta que fazia parte do conjunto
da Igreja, construída com os mesmos materiais
e no estilo em que se encontra ainda em certas Igrejas,
nomeadamente na Igreja da Srª da Cola ou em Messejana.
Conjunto este que já não se encontra vestígios,
presumindo-se que tenha sido demolido por ocasião
das obras de restauro que se vieram a efectuar posteriormente.
Entre a correspondência trocada entre o Ministério
das Obras Públicas e Comunicações
e as várias repartições do estado,
sobre o arranjo da Igreja, nomeadamente a Direcção
Geral dos Edifícios e M o n u m e n t o s Nacionais
e o Director dos Monumentos Nacionais, questionam se
a Igreja de Garvão está classificada como
monumento Nacional, facto que na altura não estava
e não veio a a c o n t e c e r posteriormente,
mas havia unanimidade entre os intervenientes em recomendar
a sua classificação como imóvel
de interesse local ou municipal.
Apesar destas cartas, ou deste processo de reabilitação
da Igreja, ter a data mais antiga de 1937, em 1962 encontra-se
nova correspondência de várias entidades,
nomeadamente do Pároco, do Bispo de Beja e de
vários populares da vila de Garvão, a
solicitar o arranjo da Igreja, como o caso de uma carta
com a data de 1962 dirigida ao Presidente do Concelho,
Dtºr Oliveira Salazar, escrita por Maria Guerreiro
Gomes, moradora no Largo da Palmeira.
ESTILO
ARQUITECTÓNICO DA IGREJA
A Igreja Matriz de Garvão, denominada Nossa Senhora
da Assumpção insere-se na arte Gótica
que surge em França, em meados do séc.XII,
dominando toda a Europa, devido à influência
e poder da monarquia francesa, às viagens dos
arquitectos gauleses e a expansão dos monges
de Cister, durante 350 anos.
Esta arte foi considerada como a mais espectacular de
toda a idade média, é fruto de uma notável
evolução nos saberes e nas técnicas
e a melhor expressão material da religiosidade
e da mística, ponto de ligação
entre razão natural e revelação
divina, entre os homens na Terra e Deus no Céu.
Em traços gerais, este estilo caracteriza-se
pelas abóbadas cruzadas e a complexidade ornamental,
conforme se pode observar na Igreja de Garvão,
nomeadamente no pórtico Manuelino.
No que respeita à construção interior
a sua principal característica são os
tectos em abóbada de arestas em ogiva, as chamadas
“ abóbadas cruzadas”. Aqui, os arcos
são os suportes das abóbadas, bons alicerces
e resistentes. Neste caso é fácil de notar
a forma como os arquitectos tentavam aliar a estética
com a estrutura, a forma estava subordinada à
função. No exterior, a decoração
concentrava-se à volta de elementos muito específicos,
como as entradas, as janelas e os contrafortes.
A igreja gótica caracteriza-se por uma arquitectura
muito complicada, que resulta numa tamanha perfeição.
Em Portugal, o Gótico é conhecido como
estilo Manuelino, este baseia-se nas características
desenvolvidas pelos franceses conjugadas com o gótico
perpendicular inglês, que se caracteriza na acentuação
das linhas rectilíneas, verticais e horizontais;
evoluindo com características muito próprias,
alcançando níveis de beleza elevados.
No campo decorativo, a representação da
natureza expressasse por motivos realistas, em que a
vegetação é um símbolo muito
utilizado de forma exuberante. Os animais, flora e seres
humanos estranhos aparecem pontualmente.
Como forma de diferenciar a arte portuguesa de todas
as outras, os artistas da altura optaram por passar
para as suas obras elementos que faziam parte do quotidiano
do país, tal como elementos de exaltação
do poder monárquico e divino, para isso representavam
a esfera armilar e imagens sacras. Na arquitectura,
a decoração não é misturada
com a estrutura, ou seja, as paredes são geralmente
livres de decoração, tanto no exterior
como no interior, sendo que a ornamentação
concentra-se nas janelas, portais, arcos, tectos, abóbadas,
pilares e colunas, arcos, nervuras, etc.
Artigo
primeiramente inserido no Jornal de Garvão nº
8
José Daniel Malveiro
Achado das fotos e documentos
Raquel Nunes
Estilo arquitectónico da Igreja
A
CUSTÓDIA DA IGREJA MATRIZ
A Igreja Matriz de Garvão, costumava ter, ainda
não há muito tempo, uma Custódia
em ouro, do género da ilustrada.
Contudo, tal Custódia, assim como alguns Santos,
foram vendidos por volta dos anos 50 pelas autoridades
administrativas da terra para fazer face a despesas
de arranjo da própria Igreja e das ruas da terra.
Obviamente que situações deste género,
quando não são feitas com o conhecimento
geral da população, geram todo o tipo
de desconfianças, e com o tempo tornam-se em
certezas, sem se saber ao certo onde estará a
verdade e a razão de tal procedimento.
Seja como for, o certo é que a Igreja Matriz
de Garvão ficou sem uma Custódia em Ouro
e alguns Santos, possivelmente do século XVII,
ou anterior.