IGREJA
de SÃO SEBASTIÃO
Ou
Igreja da Estação de Garvão
As
Igrejas dedicadas a São Sebastião localizam-se,
de uma forma geral, junto da entrada das vilas, em Garvão
fica situada na Estação de Garvão, junto
á estrada Real do Algarve antes desta atravessar a Ribeira
e entrar propriamente na vila. Não se sabe o ano exacto
da sua construção, encontra-se contudo, no altar
principal, uma imagem de São Sebastião, estatuária
tosca de uma grande expressividade e que atesta a sua antiguidade.
Segundo Moisés Espírito Santo a localização
destas Igrejas dedicadas a São Sebastião nas entradas
das vilas se deva "talvez por ele ser invocado contra a
peste, talvez porque é «santo máximo»
como sinal de reconhecimento para os transeuntes iniciados em
certos segredos. O culto Português do santo aponta para
uma religião cripto-judaica.”
São Sebastião viveu na era de 225 a 288, mártir
cristão romano, faria parte da guarda pessoal do imperador
Diocleciano, descoberta a sua fé cristã, foi acusado
de estar contra os deuses do império e o imperador e
condenado a morrer preso a uma árvore, varado de flechas,
representa-se assim como um jovem preso a uma árvore
com algumas flechas espetadas no corpo, por isso, São
Sebastião, no seio da Igreja católica, não
é tratado pelo seu nome próprio mas por “Divino
Martle” ou “Martle Santo”. Alvo dos cuidados
de uma cristã, restabeleceu-se e, representou-se novamente
junto do imperador Diocleciano dizendo que tinha ressuscitado
para reafirmar a sua fé cristã e ajudar os cristãos
vítimas de perseguição, esta acção
valeu-lhe o açoitamento até à morte.
É tido como contra a fome, a peste e a guerra e é
protector dos artilheiros, sirgueiros e albardeiros, oferecem-lhe
inclusivamente objectos em forma de bexigas de cera contra as
«bexigas doidas» (varíola) e outras borbulhas
ligados aos flagelos bíblicos, e “Na região
de Aveiro oferecem-lhe uma qualidade de bolos chamados «cavacas»,
nome de origem judaica (cavanin ou cavough).”
El-rei D. Sebastião terá o seu nome segundo este
Santo e quando do seu nascimento foi celebrado com uma enorme
procissão em Lisboa onde se exibia o braço direito
do Santo – trazido de Roma de propósito para este
acontecimento - El-rei D. Sebastião ter-se-há
iniciado nas leituras deste santo através da “Lenda
Dourada” de Santiago de la Voragine do século XVIII,
cartilha obrigatória na educação religiosa
aristocrática, São Sebastião não
só lhe deu o nome mas, D. Sebastião acabou, inclusivamente,
por morrer como o Santo que lhe deu o nome, flechado pela moirama.
1-Moisés Espírito Santo, Origens Orientais da
Religião Popular Portuguesa, pag. 179
2-Idem pag. 178
Igreja
de São Sebastião
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