JORNAL
DE GARVÃO
O Jornal de Garvão foi criado pela “Associação
Cultural e Defesa do Património deGarvão”,
tendo como objectivo principal difundir e divulgar as potencialidades
locais de desenvolvimento local, criando o interesse da população,
na enorme riqueza histórica e herança cultural que
os nossos antepassados nos legaram e, deve de ser motivo de orgulho
e desenvolvimento desta vila.
Talvez melhor do que quaisquer palavras actuais, seja o editorial
do n.º 0 do Jornal de Garvão que a seguir se reproduz,
e descreve perfeitamente as motivações e preocupações
já graves na altura, e que tem vindo a piorar até
aos nossos dias.
PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO DA VILA DE GARVÃO
Uma das preocupações constantes da população
de Garvão, é a falta de emprego.
Contudo, o seu desenvolvimento económico e, consequentemente,
a criação de postos de trabalho não se faz
esperando que alguém venha cá para construir uma
fábrica ou cruzando os braços à espera que
surja um milagre.
O desenvolvimento da vila faz-se a partir de nós próprios,
da própria população. A primeira etapa é
vencer a atitude derrotista implantada, que é o principal
entrave ao seu desenvolvimento económico.
É muito cómodo sentar-se à espera que surja
qualquer iniciativa mais audaz.
Apresentar
uma ideia inovadora capaz de criar dois ou três postos de
trabalho é vencer o derrotismo, é encarar o futuro
com esperança, é vencer a frustração
do isolamento, do desemprego e do despovoamento.
A agricultura e as relações humanas já não
são as mesmas de há trinta anos atrás. A
preocupação principal era satisfazer as necessidades
básicas da subsistência alimentar.
Hoje
é necessário encarar o futuro de outra forma, é
necessário desenvolver e valorizar as potencialidades locais.
O
seu desenvolvimento económico passa pela elevação
das actividades e produtos locais de índole artesanal,
pela pesquisa arqueológica e etnológica que terá
como objectivo final o desenvolvimento turístico, de moldes
local e rural.
Não
são os forasteiros que irão investir na indústria
ou turismo em Garvão; esses investem onde a rentabilização
é mais rápida, nem seria benéfico para a
população apostar num tipo de turismo “tipo
Algarve”, desse está o país saturado de norte
a sul.
Temos
de ser nós a apostar na nossa originalidade, na nossa rusticidade
como forma de combater a estagnação e o despovoamento
progressivo da Vila.
É necessário preservar, mas preservar de uma maneira
que se fixe a população à terra, que se crie
postos de trabalho, porque se preservarmos sem a participação
activa da população e mantendo-se a tendência
de despovoamento ao ritmo actual, daqui a uns anos não
temos ninguém.
Garvão tem menos população do que há
vinte anos atrás, menos população do que
há quarenta anos. E esta tendência só se inverte,
analisando a situação sócio/económica
em que estamos inseridos e preconizando medidas concretas e eficazes
que possam vencer a tendência para a desertificação
que actualmente se mantém.
Foi
para isso que criámos a Associação Cultural
e de Defesa do Património de Garvão.
Foi para isso que criámos este jornal.
Colabore, escreva-nos, sugira, critique e participe
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