A
concepção de reunir uma série de
objectos Arqueológicos no local, ou nas proximidades
do lugar onde um dia tiveram “vida”, sempre
foi uma vontade manifestada pelo autor e por outros
naturais desta terra, tendo como objectivo preservar
assim a sua entidade cultural e uma riqueza museológica
que, de outra maneira, se dispersaria por outros Museus
do País.
É evidente que a orientação seguida
até agora, para a implantação de
museus arqueológicos, tem obedecido a certas
“prioridades”, que não tornam prático
nem “admissível” a organização
de um Museu Arqueológico fora dos grandes centros
populacionais, como sendo o caso das zonas rurais mais
ou menos dispersas e isoladas, de fraca densidade populacional
e de acesso muitas vezes difícil.
Felizmente, esta mentalidade está a mudar, em
boa parte, devido ao poder reindivicativo das populações
e dos orgãos locais. Já se contempla,
também, de há uns tempos para cá,
por parte dos organismos oficiais, a conveniência
sob o ponto de vista Arqueológico, em organizar
museus de sítio no próprio local das descobertas,
ou nas chamadas estações Arqueológicas,
com o intuito de não se dispersarem os achados
cuja unidade de conjunto convém manter.
A Vila de Garvão possui, desde há vários
séculos, uma imensa actividade humana, o que
desperta, nas gerações actuais, um grande
interesse histórico, não só pela
remota fundação da vila, anterior à
Nacionalidade, como também, e sobretudo, pela
elevada densidade de vestígios e monumentos Romanos
e pré-Romanos, (nomeadamente da Idade do Ferro).
Não admira, pois, que o interesse e a curiosidade
de algumas pessoas da vila, fossem atraídos pelo
fascínio e pela presença dessas ruínas,
nomeadamente o Castelo e os Franciscos, onde se achavam
e guardavam algumas peças que despertavam mais
interesse, e, se salvaguardaram de um fim menos feliz,
como o caso da Estela Romana dos Franciscos, que foi
recolhida nesse local para encher caboucos de umas casas
em construção na vila.
Pode-se assim falar, ainda que com certas reservas,
da existência de um núcleo Museológico
local, a partir das colecções de particulares,
desde a década de 1970. Assim, à mencionada
Estela Romana, salva dos caboucos e trazida para os
Antigos Paços do Concelho, (na altura,Núcleo
Desportivo), por José Pacheco e Manuel Zacarias,
juntou-se-lhe a colecção de peças
recolhidas ao longo dos anos pelo autor, criando assim,
em 1982, a 1ª “Exposição Arqueológica
de Garvão”.
A esta colecção vieram juntar-se,mais
tarde, outras peças recolhidas por Luís
da Parreira. Esta Exposição, devido ao
encerramento do Núcleo Desportivo, esteve em
risco de se perder quando, em 1991, se procedeu ao “restauro”
dos antigos Paços do Concelho. A colecção
estava a ser carregada para um dumper com destino inglório,
se não fosse a recolha, mais uma vez, do autor
em sua casa, onde mereceram diversas visitas até
à criação da Associação
de Defesa do Património de Garvão.
Com a fundação da referida Associação,
várias outras peças se lhe juntaram, trazidas
pelos naturais de Garvão que assim começaram
a despertar e a ganhar consciência para o enorme
interesse em ter na Vila um Museu Arqueológico.
Eram, essencialmente, peças achadas pelos naturais
nas hortas ou nos quintais, nos seus afazeres agrícolas,
que as iam doando à Associação.
Existe ainda, para além destas peças,
todo o espolio proveniente do Depósito Votivo
do Santuário pré-histórico de Garvão,
constituído por milhares de peças, que
se encontram nos serviços de Arqueologia oficiais.