Livro "SUL e SUESTE"
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Foi em 1940 que Joaquim da Costa,
natural
de Garvão, publicou através das oficinas da Gazeta do sul no
Montijo, o livro “SUL e SUESTE- Prosas de Além-Tejo”.
Joaquim
da Costa era, como já se disse, natural de Garvão,
cuja família tinha casas na Rua Direita e era proprietária
de propriedades como a Monchica e os Cachorros, era familiar
de José Júlio da Costa, que matou o presidente da republica,
Sidónio
Pais em 14 de Dezembro de 1918 e de Celestino da Costa, primeiro
presidente da Junta de Freguesia de Garvão depois da revolução
de 25 de Abril de 1974.
Este livro que apesar de tratar essencialmente de lugares e
famílias de Garvão passa despercebido hoje em dia com um total
desconhecimento sobre este nosso conterrâneo e a sua obra,
contudo trata-se de uma série de crónicas, que nos brindou,
relativas a esta parte do Alentejo em geral e a Garvão em particular,
nos vários contos e novelas deste livro, fruto da sua infância
e
da sua memória.
Na novela a “Luíza” fala-nos sobre um amor impossível
entre a filha
de um rico lavrador e um dos criados que acabou com a morte do
criado e o suicídio do lavrador. Fala-nos das Festas do São
Barão, da
Sr.ª da Cola, do Marguilha de Garvão e do seu cachimbo, da
ponte do Carrascal, do lavrador José Francisco, sem contudo
precisar a herdade, fala-nos do almocreve António Braga e
do seu pai José Braga, Sebastiano de São Martinho entre
outras referências a lugares e pessoas da região.
Na
novela “João Teles”, menciona a moleja, menina de cinco
olhos,
jogo
do botão e “molha a orelha”, menciona o ano da pneumónica,
o pego do Azulão e a ponte do caminho de ferro.
Na
crónica sobre o poeta “João da Graça” Joaquim
da Costa fala-nos
do avô, lavrador abastado da Monchica e dos Cachorros. João da
Graça seria alfaiate e pai do Ti’Farrapinho, ultimo alfaiate
de
Garvão, cuja bisneta ainda reside em Garvão, menciona, também,
a ponte velha de Garvão, da Igreja Nossa Sr.ª da Assumpção,
da
hospedaria do Manuel Rosa, do Caetano Rosa, da Rua Direita e
das meninas Rosas.
A
“ A Velha o Chibo e o Lobo” é uma crónica passada
na Pézinha, e
m enciona
o Monte Major, o Cezar e o Serafim de Carvalho
de Garvão e a Marianita.
Noutros contos fala-nos sobre a avó, Maria Tereza de Jesus
lavradora da Monchica e dos Cachorros, fala-nos, também da
Miquelina, do Francisco alhinho da Natividade, da Maria Barbara,
do Serro dos Besteiros e da gruta do lobo.
Trata-se,
sem dúvida, de uma obra escrita com grande sensibilidade
e conhecimento cuja redacção a papel não só nos
permitiu
tomar contacto com outros tempos e realidades que nos precederam
e nos deram vida como nos transmitiu conhecimentos e
informações sobre famílias lugares e costumes de há
setenta anos atrás
Era
livro obrigatório de leitura, nas casa dos lavradores da
região, era guardado religiosamente. Ainda nos anos setenta do
século XX havia lavradores, que embrulhado em pano,
o conservavam na arca juntamente com outros pertences mais valiosos.
Devia ter sido livro de leitura nas longas noites de Inverno, entre outras
histórias, contadas de geração em geração,
para delicia de miúdos e
graúdos nos serões em volta do fogo debaixo do chupão.
Uma
segunda edição desta publicação promovida pelos
autarcas
locais
não só iria homenagear este nosso conterrâneo como
iria dignificar a vila de Garvão e um contributo para a sua
valorização, porque como diz o ditado
"um povo sem memória é um povo sem futuro".