Os bovinos Garvaneses, hoje considerados como uma estirpe
ou variedade da raça Alentejana, são animais
autóctones com o solar de origem na fronteira
entre os concelhos de Ourique e Odemira.
No passado constituíam núcleos importantes,
tanto no interior Alentejano como no litoral, com uma
área de distribuição que se estendia
pelos concelhos de Sines, Grândola, Santiago do
Cacém, Odemira, Ourique e Castro Verde, em afectivos
integrados no tradicional sistema extensivo de produção
pecuária.
A designação destes animais, deve-se à
sua grande afluência à feira de Garvão,
encontrando-se referenciados em algumas publicações
antigas. É o caso do Engenheiro Sommer de Andrade
que, no seu livro “Raça Bovina Transtagana”,
cita Bernardo Lima que em 1870 descrevia os animais
Garvaneses como uma “população vacum
bastante heterogénea que ocupa a bacia do rio
Mira (...) com uma pelagem de cor entreo flavo e castanho,
e em bastantes rezes um tanto torrado ou atiçoado
sendo também para notar a cabeça fusca
principalmente sobre o focinho...”.
Fruto do abandono a que foram votados, a caracterização
genética e morfológica destes animais
é deficiente.
Ainda de acordo com o Engenheiro Sommer de Andrade,
a estirpe Garvanesa é uma transição
entre uma variedade da sub-raça Alentejana e
a variedade serrana da sub-raça algarvia.
São animais bem adaptados às condições
da região de onde são originários,
mais pequenos que os bovinos Alentejanos, cuja característica
mais distintiva é a pigmentação
escura da cabeça, da cauda e das extremidades
dos membros. Nos machos, esta coloração
escura entende-se também pelo pescoço
e pelas espáduas.
No passado, estes bovinos não possuíam
qualquer especialização produtiva, pelo
que eram utilizados para a obtenção de
crias, sendo preferidos na região pelas sua excelente
capacidade de trabalho.
A estirpe Garvanesa, encontra-se em vias de extinção.
Com enfeito, esta variedade da raça Alentejana
desapareceu dos registos oficiais há cerca de
10 anos e, o que é pior, deixou de ter lugar
nos efectivos bovinos da região, resultado da
sua substituição por outras raças
ou de cruzamento sindiscriminados.
No âmbito do “Projecto de recuperação
e Manutenção da raça bovina Alentejana,
estirpe Garvanesa”, o Parque Natural do Sudoeste
Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), realizou no 2º
semestre de 1994 um levantamento dos efectivos Garvaneses
existentes nos concelhos de Odemira, Ourique e parte
do concelho de Santiago do Cacém.
Como resultado, foram localizados cerca de 80 animais
de linha pura, dos quais apenas um era macho. As fêmeas
existentes, tinham, na sua maior parte, idades superiores
a 8 anos e encontravam-se muito dispersas pelos afectivos
bovinos da região, sendo utilizadas apenas para
a obtenção d eanimais cruzados.
Do levantamento efectuado ,verificaram-se, no entanto,
duas excepções à situação
descrita anteriormente: uma vacada com um núcleo
de 36 fêmeas Garvanesas de linha pura, situada
em Santana da Serra, concelho de Ourique; uma outra
com 15 fêmeas também de linha pura, situada
no Cercal do Alentejo, concelho de Santiago do Cacém.
No primeiro caso, o núcleo de animais Garvaneses
incluía o único macho adulto existente
na altura. Todos os animais deste núcleo eram
aparentados, com uma consanguinidade elevada entre si.
As fêmeas, eram utilizadas em parte para a obtenção
de animais cruzados e outra parte para obtenção
de animais de linha pura para substituição
dos efectivos.
No
segundo caso, o núcleo de animais Garvaneses
era constituído exclusivamente por fêmeas
utilizadas apenas para a obtenção de animais
cruzados.